Tertúlia “As (R)evoluções do Dia Internacional da Mulher”

UMAR Braga

O Núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR realizou no dia 8, a tertúlia ‘As (R)evoluções do Dia Internacional da Mulher’, que contou com a participação dos investigadores Carla Cerqueira e Pedro Pinto, que se debruçaram sobre a história do Dia Internacional da Mulher e a sua importância na actualidade. Do debate ressaltou a ideia que a efeméride assume-se como essencial numa sociedade em que se vive uma emancipação aparente, onde as mulheres são aprisionadas pela sociedade de consumo.

Carla Cerqueira, doutoranda em Ciências da Comunicação e membro do núcleo de Braga da UMAR, falou dos marcos de um percurso de lutas feministas que se entrecruzam com o Dia Internacional da Mulher. Centrou a sua intervenção nas distorções que existem sobre a origem da efeméride e que são reproduzidas anualmente nas comemorações. Referiu as conquistas dos séculos XVII e XIX, como o direito à educação e o direito de voto, até chegar aos direitos laborais. Sustentou ainda que não há um consenso quanto ao marco histórico que esteve na origem do Dia Internacional da Mulher. No entanto, as posições predominantes apontam para a luta das operárias por melhores condições de vida. “Sabe-se que o Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin, em 1910, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas”, frisou. No seu entender existe uma omissão da verdade histórica que está na génese da efeméride, mas a partir dessa altura começou a celebrar-se o dia em vários países. A data de 8 de Março tornou-se preponderante e em 1975 a ONU instituiu a efeméride, que se começou a celebrar em Portugal desde essa altura. Mais de trinta anos depois, várias foram as conquistas, mas há ainda um longo caminho a percorrer nas mais variadas áreas.

UMAR

Pedro Pinto, investigador Psicologia Social na área de Estudos de Género e Teorias do Corpo, centrou a sua apresentação nos significados do discurso “mulher” que existe na sociedade actual, marcada pelo capitalismo. Apresentou vários exemplos de revistas femininas, tentando demonstrar de que forma é que as mulheres passaram de objectos a sujeitos. A sua análise centrou-se na esfera mediática e para tal, o especialista tentou explicar como é que nos anos 60 e 70 do século XX as mulheres viviam aprisionadas à esfera privada, sendo apresentadas como objectos. No entanto, actualmente verifica-se uma subjectificação, onde elas se apresentam como emancipadas, mas onde se encontram novamente aprisionadas pela questão estética, que se apresenta como uma ditadura dos tempos modernos. Assim, no entender de Pedro Pinto é importante desconstruir os papéis sociais existentes, bem como a dicotomia privado/público.

Dia Internacional da Mulher: Acção de rua ‘Feministiza-te’
O Núcleo de Braga da UMAR convida as/os bracarenses a juntar-se à acção de rua ‘Feministiza-te’, hoje, Dia Internacional da Mulher, às 15h30, na Avenida Central. Serão acenados cartazes com slogans a remeter para a situação da mulher em Portugal e no mundo. Nas comemorações do Dia Internacional da Mulher importa assinalar as conquistas, mas não deixar no esquecimento as lutas que precisam de ser travadas em prol do bem-estar social de homens e mulheres, num mundo que se pretende justo.
Paralelamente, no âmbito da campanha ‘Não sou cúmplice’, o núcleo de Braga colocará 43 bandeiras pretas sinalizadas num jardim do centro que correspondem ao número de mulheres assassinadas em 2008 vítimas de violência doméstica.

Por UMAR Braga

Deixe uma resposta