Broa de milho e cestos de madeira nascem das mãos de quem aprendeu a arte
Guilhadeses ainda tem quem preserve algumas tradições mais antigas do mundo rural. Cozer o pão em forno de lenha e fazer cestos de madeira são duas das actividades que melhor representam o imaginário das aldeias de antigamente.
Rosa Loureiro começou a cozer aos 12 anos de idade e nunca mais deixou de o fazer. Membro de uma família numerosa, hoje com 66 anos, diz que foi a mãe que a ensinou e “quando nasciam os meus irmãos era eu que cozia, como sou a mais velha, e o meu pai ajudava-me”, refere.
Numa altura em que se cozia por necessidade, Rosa Loureiro diz que “fazia 20 quilos de farinha, que dava 4 broas, e às vezes não chegava para uma semana, pois o que mais se comia era broa e sopa”, refere com nostalgia. Hoje em dia fá-lo por “gosto e por tradição” e o sabor do seu pão é já conhecido em toda a freguesia e arredores, e já houve vezes em que “as pessoas comeram da minha broa e depois de saberem quem a tinha feito vieram fazer-me encomendas”, afirma Rosa Loureiro.
Em relação ao modo como se prepara este manjar responde que “à noite faz-se o fermento, chamado isco, que fica a levedar a noite toda, no dia seguinte faz-se a massa com a farinha, água e o fermento”.
Em relação ao tipo de farinha que usa é determinada a dar a resposta, ”farinha amarela mas não é qualquer milho que serve para a fazer”, o segredo para tão saboroso sustento diz sem qualquer hesitação que “não existe nenhum mas ao abrir o forno bato com a pá por cima da porta e digo «Benza-te Deus»”.
Orlando Costa é professor de Biologia e Geologia, no entanto, alia a sua profissão à arte de fazer cestos de ripas de castanho no pouco tempo livre que tem e que os seus três filhos lhe permitem.
Natural de Vale de Cambra mas a viver por estas terras há 11 anos, este filho de pai cesteiro aprendeu com ele a habilidade da qual já chegou a fazer algum dinheiro. O processo de preparação da madeira é complexo, “cortam-se as varas de castanho no Inverno, com três ou quatro anos, que são colocadas no fogo até estalar a casca toda e depois são postas de molho na água e rasgam-se usando uma foice, tudo é feito com ferramentas artesanais sem nenhum tipo de mecanização”, refere.
Orlando Costa executa todo o tipo de cestos e até fez o berço onde dormiram os seus três filhos, conta satisfeito que, igual ao seu, apenas existem mais quatro, feitos por ele para amigos.
Segundo o professor um cesto, a menos que apodreça, nunca dura menos do que vinte anos, podendo ser reciclado várias vezes e conta uma história que demonstra na perfeição este facto, “quando era rapaz ajudava o meu pai a consertá-los e cada vez que o fazíamos marcava-se o cesto com um pequeno golpe, um dia chegou-nos à mão um que já tinha sido reparado catorze vezes, o que é de facto incrível”, sublinha.
Mostra-se um pouco triste pelo uso do cesto estar a ser abandonado dizendo que “este utensílio sempre foi da agricultura e como a agricultura tem vindo a morrer também ele acompanha a tendência e é ainda, muitas vezes substituído pelo balde ou pelo saco de plástico, que tem apenas uma única vantagem que é ser mais barato”.
Estes dois exemplos demonstram bem que, embora ao longo do tempo estas tradições se tendam a perder, ainda há, contra todas as tendências do mundo industrializado, quem as faça persistir.
Por Daniela Silva
4 respostas em “Broa de milho e cestos de madeira nascem das mãos de quem aprendeu a arte”
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João Barros on Maio 8th, 2009
Já comi do pão que a Dona Rosa Loureiro amassou/coziu e posso testemunhar que é um dos produtos nacionais de melhor qualidade.
Alexandra Loureiro on Junho 15th, 2009
Sim senhora a broa da minha mâe é uma delícia todas as semanas como broa quentinha.
A minha mãe é uma heroína…
Alexandra Loureiro on Junho 15th, 2009
a broa de guilhadese é uma delícia não há broa igual á da Senhora ROSA LOUREIRO de Cadorcas…
Heroína on Junho 15th, 2009
QUEM QUISER APRENDER A FAZER BROA DE MILHO , QUE VENHA APRENDER LIGUE E MARQUE A SUA VEZ.