Portugal soma 12 zonas balneares interditas

Desde que a época balnear começou, Portugal conta já com 12 zonas balneares interditas, sendo a maioria delas no interior do país (dez).
Além disso, outras 22 praias já revelaram pelo menos uma análise de qualidade da água má, num total de 24, de acordo com a informação disponibilizada ontem no site do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos do Instituto da Água. Dados que para a associação ambientalista Quercus representam um agravamento da situação em relação ao ano passado.
Ainda segundo a Quercus, “a ocorrência de alguma precipitação foi a causa para muitas das análises más verificadas há algumas semanas, nomeadamente por contaminação de praias costeiras a partir de ribeiras ou directamente das praias localizadas em rios ou albufeiras”.
Contudo, Francisco Ferreira, vice-presidente da associação, explicou ao PÚBLICO que em muitas zonas “assistimos a um agravamento da poluição e ao mau tratamento das ETAR”, o que contribui em muito para os maus resultados.
E acrescentou: “Em toda a época do ano passado houve 28 análises à água que registaram maus resultados e este ano já vamos em 22”. “Geralmente temos problemas mais espaçados, o que está a acontecer agora é apenas em mês e meio”, alertou.
No país há 533 praias ou zonas balneares, sendo que 436 estão em zonas costeiras ou de transição e apenas 97 são no interior.
São precisamente estas que estão a ser mais afectadas, mas Francisco Ferreira relembra que muitas estão fechadas por uma questão de precaução por terem registado maus resultados em 2008.
Assim, algumas das praias interditas não revelaram qualquer resultado negativo, tendo sido encerradas pelas autoridades de saúde como medida preventiva, como é o caso da Berlenga, onde as gaivotas são a principal causa do problema. Recorde-se que a interdição é determinada pelo delegado regional de saúde e nem sempre a qualidade da água é a justificação para a precaução tomada.
Em Arganil, por exemplo, Piódão está encerrado por falta de infra-estruturas. Já Fráguas, em Vila Nova de Paiva, revelou três análises más, é a pior zona balnear em termos de qualidade da água e, ainda assim, chegou a estar aberta este ano. Pego Fundo (Alcoutim), Senhora da Piedade (Miranda do Corvo), Rio Gadanha (Monção), Berlenga (Peniche), Rio Coura (Paredes de Coura), Arnado e D. Ana (Ponte de Lima), Foz do Sabor (Torre de Moncorvo) Árvore (Vila do Conde) e Azenha dos Gaviões (Vila Velha de Ródão) são as outras dez zonas interditas – a maioria das quais desde o início da época balnear.
Francisco Ferreira recomenda que os banhistas apenas utilizem zonas balneares classificadas e que respeitem sempre as indicações nos locais sobre a qualidade da água. “Uma bandeira nem sempre traduz o estado do mar”, exemplifica.
Hoje, a Administração da Região Hidrográfica também já mandou recolocar a Bandeira Azul na praia dos Olhos de Água e Maria Luísa, no concelho de Albufeira, na sequência dos resultados das análises às águas da região, quando os esgotos rebentaram naquela zona.
In Jornal Público





