Entrevista à escritora bracarense Marisa Martins

DSCF4299

A escrita está na veia de muitos e o “Notícias Arcoenses” cruzou entre muitos contactos, um com uma jovem escritora da cidade de Braga. Marisa Martins que se define como sendo “a prova de que os sonhos nos levam sempre onde queremos chegar”, esteve à conversa connosco antes da apresentação do seu mais recente livro “Remoinho de Emoções”.


Quem é a Marisa Martins e como surge a escrita na sua vida?
A Marisa é uma apaixonada pelas letras, pelas pessoas, é uma pessoa que adora comunicar. Eu sou aquilo que escrevo.
A paixão pela escrita surgiu ainda antes da adolescência. Acredito que esta paixão seja fruto dos livros que fui lendo desde muito cedo. E desde que descobri que me exprimia melhor a escrever do que a falar passei a escrever quase compulsivamente.

“Eu sou a prova de que os sonhos nos levam sempre onde queremos chegar”. O que está por detrás destas palavras?
Essas palavras têm e terão um significado muito especial para mim. Havia já uma série de contactos entre mim e a Corpos Editora, mas nada de concreto em relação à publicação do livro.

Quando recebi a notícia de que alguns dos textos do blogue iriam ser publicados em livro a primeira coisa que pensei foi “Eu sou a prova de que os sonhos nos levam sempre onde queremos chegar”.

Acho que isto diz tudo. Como disse sempre gostei de escrever e quem escreve gosta de ser lido por isso criei o Blogue. Depois de sentir empatia da parte de quem lia é óbvio que passei a sonhar ainda mais com o livro. E quando chegou o livro chegou a convicção de que “eu sou a prova de que os sonhos nos levam sempre onde queremos chegar”. Esta é também uma frase que na minha opinião incita as pessoas a sonhar e acreditar que é possível, seja qual for o sonho ou o objectivo.

É natural de Braga e publicou um livro recentemente “Remoinho de Emoções”, fale-nos um pouco sobre esse projecto?
Eu acho que um livro é uma mensagem, ou um conjunto de várias mensagens carregadas de ideias e pensamentos consistentes.
Este livro fala de coisas habituais e comuns da vida, fala de afecto, da morte, da ambição, da separação, da motivação e do amor. São crónicas e cada crónica é uma história sobre emoções são encontros e desencontros, perdas, paixões.
Fala do lado negro dos sentimentos e das pessoas. Claro que o outro lado também está presente no livro. Acaba por ser um livro de linguagem muito sentimental, a tal que eu costumo chamar linguagem emotiva, e se calhar é por isso que se torna comum a quem lê e algumas pessoas se identificam com o que escrevo.

Conte-nos em que é que se baseou e como foi escrever e editar a sua primeira obra?
Para mim o livro advém de uma jornada longa e intensa, talvez de uma viagem ao fundo de mim própria e dos que me rodeiam.
Sei que aos olhos de quem lê pode parecer um livro emocionalmente excessivo, ou até violento pela abundância de sentimentos opostos. Digamos que escrevo as coisas conforme as penso. E sim, eu tenho pensamentos arrojados e destemidos. Poderá chamar-se coragem e bravura ao facto de eu, com as minhas palavras pôr tudo em causa, inclusive a mim própria. Dizem que sim. Eu não sei. Sei que é assim que eu sou, que não me renego, que não me afasto das conjunturas que a minha existência me apresenta. Vejo-me muitas vezes a contestar comigo mesma. Argumento e contra argumento. Existe no livro um ou outro debate silencioso comigo própria que acabei por transpor para as personagens. Já me disseram que alguns textos transmitem uma certa perturbação e revolta. Outros que motivam e incitam as pessoas a acreditar que tudo é possível.

A Mafalda é de facto uma pessoa descontrolada, tem muitos momentos de desorientação e muitas etapas marcadas pelo abismo emocional. Mas ao mesmo tempo tira o máximo partido das suas experiências e emoções.

A Mafalda questiona-se sempre. Nunca lhe chega dizerem que isto ou aquilo é de determinada maneira. Porque para ela os “porquês” são sempre necessários. Questiona normas e leis. E acha que emocionalmente todas as pessoas têm tendência a mudar essas normas e regras que a razão tantas vezes nos impõe.

Questiona atitudes, sentimentos e questiona principalmente o ser humano. Acerta-se muitas vezes e ao mesmo tempo é uma eterna errante. Questiona os receios e os pânicos. Dela e dos outros. As certezas e incertezas do ser humano. A Mafalda é uma personagem totalmente emocional.

Depois temos a Inês, que funciona como uma espécie de consciência e de razão. Aparece quase como para consciencializar o mundo da Mafalda. Vê o Mundo de uma forma completamente diferente da Mafalda, mas entende-a. Mais do que isso, tem o poder de ajuda-la a sair das suas cruzadas emocionais com as palavras de motivação que lhe dirige. A Inês é uma personagem totalmente racional, e apesar de aparecer pouco é a melhor amiga da Mafalda, acima de tudo porque em nenhum momento é capaz de julgar os seus receios, as suas inquietações e as trevas que muitas vezes trava com ela própria. Já me perguntaram se o livro é autobiográfico.
É óbvio que existem neste livro emoções e sentimentos experimentados por mim. Mas não, eu não sou a Mafalda, nem tão pouco a Inês. E ao mesmo tempo acho que tenho um bocadinho de cada uma delas, ou elas de mim. Na verdade acho que muitas pessoas poderiam ser uma Inês e uma Mafalda.

Há quem pergunte se o Gonçalo do livro é uma história de amor vivida por mim, se o Gonçalo existe ou é uma personagem apenas imaginária. O que eu posso dizer é que acredito que existam por esse mundo fora muitas histórias de amor e desamor como a deles, ou se calhar conheci pessoas que me fizeram escrever sobre isso.

Defina-nos o que sentiu no momento em que viu o livro completo e nas mãos de diversos leitores?
Vou tentar definir um momento que provavelmente não tem definição possível. Foi um momento mágico. Quando vi o livro, quando o toquei senti como uma grande conquista pessoal. Senti especialmente que foi um enorme motivo de orgulho para a minha família, os meus amigos, aqueles que gostam e acreditam em mim. Foi um momento muito, muito feliz.

É uma amante da escrita?
Como disse anteriormente sou uma apaixonada pela escrita e pelas letras. Como eu costumo dizer, a escrita é a minha paixão correspondida. Por isso, sim, sou assumidamente uma amante da escrita. Escrever é para mim um vício muito saudável.

Como descobriu esta vertente na sua vida diária?
Para mim a escrita funciona como um escape. Liberta-me. É talvez a melhor forma que encontro para traduzir a realidade, a minha relação com o universo e com as pessoas.
Eu acho que quando o que escrevemos é sobre nós, ou sobre algo que nós conhecemos é também uma tentativa de “arrumar” sentimentos ou emoções. Escrever ajuda-me a viver melhor comigo mesma e com os outros, a compreender e viver melhor com determinados factos.

E sobre o seu blogue que tem levado imensos cibernautas a visitá-lo o que nos pode contar sobre esta janela virada para o mundo?
Sim, felizmente, o meu blogue tem alguns leitores, seguidores, comentadores. E claro que sou uma pessoa muito mais feliz por isso. Essas pessoas acabam por ser parte integrante de mim.
Na verdade eu escrevo para perceber-me melhor a mim própria, mas não só, escrever é também uma forma de comunicar com as pessoas. No blogue sinto que as minhas dúvidas, as minhas buscas e também as minhas respostas coincidem com uma boa parte dos leitores que lá vão, que comentam e acabam também por comunicar comigo. E isso para mim tem de facto importância e torna-se numa experiência muito gratificante.
Mentiria se dissesse que o facto de ter pessoas diariamente a ler o que escrevo não é importante. Foi importante e continua a sê-lo. Foram eles de certa forma que me fizeram chegar ao livro. Agradeço-lhes sempre o tempo que dedicam a “ler-me”. A todos eles, um muito obrigado…pelos comentários, pela forma como exprimiram identificar-se e rever-se com o que escrevo. Aliada à minha vontade avassaladora de escrever, sempre estiveram as manifestações por parte de quem lê, e foi precisamente isso que aumentou a minha vontade de partilhar a minha visão do mundo e continuar a “estampar-me” no blogue.

Passar por Arcos de Valdevez e mostrar o seu trabalho é uma ambição?
Sem dúvida que tenho grandes ambições no que diz respeito à divulgação do meu primeiro livro, e passar por Arcos de Valdevez fará parte deste projecto. Será um enorme prazer conhecer as pessoas e dar-me a conhecer um pouco mais através do que escrevo.

Que outros projectos tem em manga nesta vertente da literatura?
Continuo a escrever no blogue que deu vida ao “ Remoinho de Emoções”. Existe um outro blogue, que prefiro não revelar o nome e onde escrevo também sob forma de heterónimo. Existem ideias e projectos, mas falar sobre eles neste momento se calhar é ainda prematuro.

Por: Marta Cunha

2 respostas em “Entrevista à escritora bracarense Marisa Martins”

  1. Aninhas  on Agosto 27th, 2009

    Parabéns Marisa!
    Muita sorte!!
    Beijinhos

  2. MJB-MX  on Setembro 29th, 2009

    ESTA MENINA NUNCA ME ENGANOU… SEMPRE SOUBE QUE O CONSEGUIA :)
    ESTOU MUITO FELIZ POR TI PRINCESA…
    BEIJINHO GRANDE

    E OS PARABENS A ARCOENSES POR DIVULGAR A BOA ESCRITA QUE AINDA TEMOS NO NOSSO PAÍS E A OPORTUNIDADE QUE DEU A MARISA PELA DIVULGAÇÃO…
    E CLARO TAMBEM OS PARABENS A MARTA CUNHA PELA NOTICIA ;)


Deixe uma resposta