Menos dois mil candidatos para mais vagas na 1.ª fase

Até sexta-feira, último dia para concorrer à 1.ª fase de acesso ao superior, foram registadas 52 949 candidaturas, menos 2000 do que há um ano. Notas piores nos exames são explicação possível. Três quartos das candidaturas feitas pela Net.

O aumento de vagas no ensino superior público não foi sinónimo – pelo menos na 1.ª fase de acesso – decrescimento da procura. Segundo dados da Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES),até à última sexta-feira tinham sido registadas 52 949 candidaturas, menos cerca de duas mil do que em igual período do ano passado.

Os responsáveis do sector contactados pelo DN reservaram análises detalhadas para mais tarde.Até porque, devido à massificação das candidaturas pela Internet (ver texto ao lado) ainda não são conhecidos números instituição a instituição. Mas a descida nas médias de alguns exames do secundário que servem de prova de ingresso a muitos cursos – como Matemática, Física, Química, e o próprio Português-, é uma das explicações mais consensuais.

“Era previsível que esta diminuição se verificasse face ao aumento das notas negativas nas provas de ingresso”, considerou Luciano de Almeida, que presidiu até Junho ao Politécnico de Leiria. “As notas foram substancialmente inferiores aos últimos dois anos”.

Este responsável admitiu, no entanto, que possa verificar-se “uma aproximação ao número de candidatos do ano passado” na 2.ª fase de candidaturas, que arranca a 14 de Setembro, já que “é possível que muitos alunos tenham optado pela melhoria de nota para chegarem aos cursos que pretendem”.

Já a hipótese de a crise económica ter ditado alguma contracção nas candidaturas – admitida ao DN por Ricardo Rocha, da Federação Académica do Porto (ver entrevista)- é vista como menos provável por Luciano de Almeida. “Não me parece que tenha sido um factor decisivo, embora possa ter levado alguns alunos a optarem por instituições mais próximas das suas áreas de residência”, admitiu.

Em declarações ao DN, Mourão Dias, director-geral do Ensino Superior avisou que, mesmo já decorridos os períodos regulares de candidatura na 1.ª fase (13 a 24 de julho e 31 de Julho a 7 de Agosto), “os números ainda não são definitivos”, já que “um número significativo de alunos que fizeram as provas pediram reapreciações que poderão permitir-lhes concorrer”. Também por isso, as “análises em pormenor” dos dados só serão feitas em Setembro.

Para já, feitas as contas, o número de candidatos superou apenas num milhar o total de vagas colocadas a concurso pelo Ministério do Ensino Superior: 51918.

Este ano, a subida de 1100 vagas – a sexta consecutiva – concentrou-se no pós-laboral e em algumas novas licenciaturas.

In http://dn.sapo.pt

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